Névoa

A cidade acorda envolta em organza,

cinzenta,

húmida e áspera na pele,

essa que, a estas horas (tam cedo!),

senta como umha carícia que arranha delicadamente na alma

e deixa nela reminiscências peganhentas,

como a marmelada das torradas que acompanham o café

nos dedos.

Saudade de dias passados em paraísos quentes,

em Ítaca sonhada,

quando a realidade parecia tam longe

e Paradise enchia todo de luz.

Deixo-me acariciar pola névoa nesta manhá

-típica de outono-

que intuo fresca desde o outro lado da janela,

e imagino-te a percorrer o meu corpo

com os teus dedos de sol

e fico aí, refugiada em ti, 

no calor morno do teu abraço

a ronronar baixinho

enquanto aguardo,

serena.

E feliz.


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