Nocturno

A vida impom-nos o seu próprio ritmo, a nós, ainda que nom queiramos, sem perguntar, sem saber, sem se importar se gostamos ou nom, se concordamos ou nom. Alguém, algures, decide que eu hoje nom vou dormir e só me resta aguentar e esperar que as horas passem e que a noite se deixe debagar lentamente, como se fosse umha granada, em atitude quase pornográfica. Pode parecer, mas nom me sinto vencida; nom estou vencida (ainda) -só sei que nom serve de nada apresentar resistência e nom posso malgastar as forças, porque ficaria agitada e mais débil para me enfrentar ao que quer que seja. O silêncio e a quietude som, nestes momentos de calma tensa, a única arma que possuo. Deixa-te embalar por eles, repito-me. E quase que me deixava ir, porque é isso o que mais me apetece agora, mas, quando os olhinhos começam a ceder, acende-se umha luz vermelha intermitente, de alerta, que me acorda, que me trae de novo para a realidade, esta, em que nom posso adormecer, em que devo estar vigilante para nom ser devorada polas ovelhas.


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