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De Emma a Hermelinda

Nom sei se algumha vez desejei realmente ser Emma. Eu, que sempre fui qualquer cousa, excepto eu própria. Ou que sempre fui cousas demais para sentir-me só umha concreta. Identidades demais. Mulher habitada. Poli-pétala. Como umha metáfora vanguardista.

Dalgumha forma -nem sempre consciente- sempre me soube filha e herdeira de muitas outras. No começo, eram mulheres irreais, com os seus nomes e as suas personalidades diferenciadas. Depois, conheci outras mulheres que, por sua vez, também eram herdeiras doutras, às vezes verdadeiros mitos, outras vezes, deusas, outras, só personagens fictícias. Depois, eu própria fui isso tudo.

Nesse percurso, de muitos anos, conheci Emma sonhadora e conheci, também, Hermelinda. E li as páginas da novela que ela transitava com admiraçom e devoçom, sem saber nada. E Hermelinda passou, como passa a primavera. E esqueci-me dela.

Até que um dia nom pude continuar a fugir.

Voltou, de improviso, sem avisar, como a brisa suave que traz o cheiro ácido da maçá verde. Deliciosa.

Voltou, para fazer-me lembrar -e procurar de novo- aquelas palavras:

Aquela mañá faltoulle o amor. Afogaba. Deliraba, tamén. Sobre a súa cabeza voaban píntegas, lagartos, cabalos que eran lagartos. Lagartos como paxaros que piaban entre as árbores do río, lagartos. En primavera de petunias. Con flores que ela queria imaxinar tras a opaca negrura do presente, canalla. Faltoulle o amor. E faltáballe abril. Un abril entre os dedos de uñas sen pintar. Abril para os soños que soñaba: quería ser profesora de literatura. E falar da arte, da pel da arte: a emoción da arte. Afogaba. Deliraba, tamén. Precisaba prender a súa alma na ilusión. Unha ilusión. Escapar. Escapou.

Queríamos, ambas, alguém que escrevesse para nós um poema de amor, ou uma cançom; alguém que nos acariciasse a alma; alguém que nos fixesse sonhar.

Sonhar…

Algo assim.

Como se, no fundo, fôssemos Emma.

E, como ela, revoltámo-nos contra o tédio e voltámos a acreditar nos sonhos.

E foi.

E é.


Vailima, por exemplo

Hoje acordo com ganas de sol. E de TI. De estar contigo ao sol, em qualquer praia de areia branquinha e águas turquesas e quentes… Ganas de raios de sol a acariciar a minha cara para despertar-me e nom esta chúvia absurda e estúpida que enche todo desse gris peganhento, difícil de tirar da alma. Ganas dos teus braços a rodear-me forte enquanto nom acordamos totalmente.

Quero acordar e sorrir e ver, também, o teu sorriso.

Leva-me a umha ilha qualquer dos mares do Sul…