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Bicicleta

Confesso que me levantei com preguiça e com o calor da cama colado à pele, como umha carícia que queres que nom acabe nunca. Duche rápido e quentíssimo para nom deixar perder essa sensaçom. Café de pé, na janela da cozinha. O céu está límpido. Deve estar frio fora. Mais preguiça: só poderei manter este calor se vou de carro… mmm… Duvido: há outra voz a dizer-me que vou arrepender-me se deixo a bici em casa. Vai estar sol, sol de inverno, e sei, de repente, com umha certeza que quase dói, de forma absolutamente irracional, que quero sentir a sua luz única. Já está decidido: irei de bicicleta! Acabo de arranjar-me (maquilhagem incluída, apesar de que começa a ficar tarde), acabo o café (já frio) e nom me esqueço do Mac nem de todos os cabos e carregadores para depois…

Gosto da última imagem que vejo de mim no espelho, antes de fechar a porta.

De bicicleta na mao, saio à rua. O céu, agora, tem umha tonalidade incerta entre o azul e o lilás, como com umha pátina metalizada ou nacarada. Abro a boca, admirada, ao ver a lua entre dous edifícios: só umha fatia de nácar brilhantíssimo em fase minguante. Ainda tento fazer umha foto, mas nom fica bem e desisto. Aliás, tenho de ir andando!

O ar é mesmo gélido, mas, surpreendentemente, senta bem na cara e nos pulmons. A geada, que, com os incipientes raios de sol, desprende faíscas cristalinas, cobre a relva do parque e os vidros dos carros que passaram a noite à intempérie. Só dá vontade de sorrir e pedalar… E faço-o! 

Menos mal que decidi vir de bici!

Pedalada a pedalada, penso em como vou escrever tudo isto ao chegar à escola, imagino as frases e as palavras que escolherei e desejo ser capaz de vos transmitir tanta beleza.


Vailima, por exemplo

Hoje acordo com ganas de sol. E de TI. De estar contigo ao sol, em qualquer praia de areia branquinha e águas turquesas e quentes… Ganas de raios de sol a acariciar a minha cara para despertar-me e nom esta chúvia absurda e estúpida que enche todo desse gris peganhento, difícil de tirar da alma. Ganas dos teus braços a rodear-me forte enquanto nom acordamos totalmente.

Quero acordar e sorrir e ver, também, o teu sorriso.

Leva-me a umha ilha qualquer dos mares do Sul…


Tempo

Fico, amor,

à espera dos teus beijos.

Limito-me,

nesse tempo,

a ver abrir o dia

a ouvir crescer a erva

a escrever versos rápidos e desenfadados

a contar bolboretas verdes -ou azuis-

a acariciar gatas com olhos de névoa

a sonhar com paraísos desertos

a repetir em silêncio

como um mantra infinito

poemas de amor desesperados

(já quase gastados, de tam repetidos)

a sorrir,

para ti.

Enquanto espero.